MODA Vs AUTOESTIMA
O IMPACTO DA MODA NA AUTOESTIMA: QUANDO O QUE VESTIMOS INFLUENCIA QUEM SOMOS
A relação entre moda e autoestima tem sido amplamente explorada em diferentes áreas das ciências sociais e da psicologia. A moda, enquanto sistema simbólico, ultrapassa a dimensão estética, funcionando como um mecanismo de comunicação social e construção identitária. A autoestima, por sua vez, refere-se à avaliação subjetiva que o indivíduo faz do seu próprio valor, influenciada por fatores internos e sociais.
Para Simmel (1904), a moda constitui um processo simultâneo de imitação e diferenciação social, permitindo ao indivíduo integrar-se em grupos sociais enquanto preserva alguma individualidade. Bourdieu (1979) acrescenta que as escolhas de vestuário estão associadas ao capital cultural e ao habitus, funcionando como marcadores de posição social e distinção.
Barthes (1967) propõe uma abordagem semiológica da moda, considerando o vestuário como um sistema de signos que comunica significados socialmente interpretados. Assim, a moda não é neutra, mas sim carregada de códigos culturais.
Na psicologia, Rosenberg (1965) define autoestima como uma avaliação global do valor próprio, relacionada com sentimentos de autoaceitação e autoconfiança. Rogers (1951) acrescenta que a autoestima resulta da congruência entre o self real e o self ideal, sendo influenciada por experiências sociais e perceções externas.
A relação entre moda e autoestima pode ser compreendida através do conceito de enclothed cognition, proposto por Adam e Galinsky (2012), que demonstra que o vestuário influencia processos psicológicos como atenção, confiança e desempenho.
Deste modo, a forma como um indivíduo se veste pode influenciar não apenas a perceção externa, mas também a auto-perceção, contribuindo para o aumento ou diminuição da autoestima.
Entwistle (2000) reforça esta perspetiva ao considerar o corpo vestido como um espaço socialmente situado, onde identidade, cultura e emoção se cruzam.
A moda deve ser compreendida como um fenómeno social e psicológico complexo, capaz de influenciar diretamente a autoestima. Mais do que estética, trata-se de um sistema de significados que participa na construção da identidade e do bem-estar subjetivo.
Referências bibliográficas (APA)
Adam, H., & Galinsky, A. D. (2012). Enclothed cognition. Journal of Experimental Social Psychology, 48(4), 918–925.
Barthes, R. (1967). Système de la mode. Paris: Seuil.
Bourdieu, P. (1979). La distinction: Critique sociale du jugement. Paris: Minuit.
Entwistle, J. (2000). The fashioned body: Fashion, dress and modern social theory. Cambridge: Polity Press.
Rogers, C. (1951). Client-centered therapy. Boston: Houghton Mifflin.
Rosenberg, M. (1965). Society and the adolescent self-image. Princeton University Press.
Simmel, G. (1904). Fashion. International Quarterly, 10, 130–155.
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